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Ode de solidão
Ai, que saudade tenho de teus dedos,
Em meu rosto, dormindo, como plumas
Brancas; e de teu colo a doce bruma,
Da qual por tantas vezes quedei bêbedo;
Dessa leveza extática que te orna
A sombra vacilante, fulva e morna,
De um entardecer se conformando
Na janela. As folhas dos pinheiros
Ainda vibram ao vento de Janeiro,
Projetando tua imagem na varanda.
E o Sol ainda te clama, de seu leito
Nas montanhas, que te vás para meu peito...
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